segunda-feira, 24 de maio de 2021

A escrita terapêutica de sempre de novo


É sempre bom poder voltar aqui e ver que tudo é uma continuidade, ainda que essa continuidade seja feita de tantas rupturas. O sol está em gêmeos. E eu estou aprendendo a relaxar. Sempre que tento isso me deparo com a mesma causa motivadora da minha tensão. Relaxo e volto a entender o motivo pelo qual busquei a tensão. Entende? Do que é feita a vida? Sonhos, buscas, experimentos? O que é relaxar? Eu relaxo lendo um bom livro, relaxo aprendendo algo novo, relaxo assistindo um filme, relaxo ouvindo uma música geralmente dançante. Eu não relaxo olhando para o teto sem fazer nada. Eu geralmente relaxo fazendo alguma coisa. Não foram raras as vezes que eu relaxei trabalhando. A diferença está no que sinto e não no que faço. A diferença está no que sinto enquanto faço. Posso fazer as mesmas coisas que geralmente faço em estado de tensão, só que relaxada. Em estado de relaxamento. Os resultados não desmoronam, pelo contrário, eles parecem bem melhores. Mas, mesmo assim, parece haver uma falta. A falta do sentimento que havia antes. É como se a tensão preenchesse uma espécie de vazio. É como se a tensão me fizesse merecedora de algo. Do quê? É como se eu precisasse provar algo para alguém. E nem é mais como se eu precisasse provar algo para alguém. E porque eu ainda sinto falta do sentimento? É sempre do sentimento, né? Que a gente sente falta? Pelo menos, eu. Do sentimento da estima. Do sentimento de tensão. Por que eu precisei tanto desse sentimento de tensão? Relaxamento me lembra meu pai. Tensão me lembra minha mãe. O relaxamento de meu pai o levou a precisar de muita coisa na vida. A tensão de minha mãe a levou a ser independente. Mas, no fundo, nem é. Minha mãe precisa de muita coisa também. Ela só não diz, não cede, não admite. Ou talvez, no fundo, ela grite calada. Eu preciso do quê? De mim. Isso é óbvio. Mas o que eu não tenho me dado? O prazer de viver o dia a dia. O prazer de suprir as próprias necessidades de cuidados materiais básicos. O prazer da atenção detalhada e cuidadosa. O prazer de trabalhar a favor das minhas necessidades mais importantes e primárias. Isso não era importante, nunca foi. Até que eu entendo que a falta que eu sinto está muito ligada à necessidade de ser essa filha que eu nunca admiti que fui por rancor e ressentimento. O que há de errado com o banho, com a comida, com a limpeza e organização da casa? Não há nada de errado. É tão importante e urgente quanto todas as outras necessidades pelas quais eu me empenho dia após dia. No fundo, eu me empenho para suprir essas necessidades mesmo, seja quando me empenho no cultivo do meu relacionamento afetivo-sexual, seja quando me empenho para manter minha qualificação profissional e emprego. O céu é aqui, o céu está aqui. E geralmente a gente o nega em prol da ilusão que o que já existe ainda não é e está para chegar.

sábado, 27 de agosto de 2016

Não adianta mudar o nome...

Damos aos nossos determinantes comportamentais os mais diversos nomes: Deus, Sociedade, Princípios, Traumas e Complexos, Medo, Valores, Tradição, Cultura, Vício, dentre outros... No fundo, só muda o nome, a natureza é a mesma. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Nem tão próximos nem tão distantes


Nem as pessoas mais próximas nem as mais distantes estão realmente dispostas a te ouvir. As distantes têm acesso apenas a partes de você e, não raras as vezes, julgam e definem seu caráter por aquele pedaço, aquela palavra, aquele gesto, aquela brincadeira, aquele olhar, aquele jeito de andar, quando, na verdade, nenhuma dessas coisas isoladas informam qualquer coisa a seu respeito. As pessoas mais próximas não se contentam em te ouvir, elas preferem te ler, e vão juntando todos os pedaços possíveis, fazem uma mistura, refogam na panela, untam a forma, untam tudo e assam. Vão te recriando de um jeito que nem você se reconhece, apesar de, na maioria das vezes, chegar a ficar confuso sobre quem se é, tamanha a proximidade e "influência" dessas pessoas. A individualidade - a própria identidade - é posta em risco.
Mas, existem aquelas pessoas nem tão próximas nem tão distantes, como naquela velha fábula dos porcos espinhos na era glacial: nem tão próximos para não se ferirem, nem tão distantes para não morrerem de frio. Essas pessoas conseguem a proeza de se limitarem a te ouvir sem fazer a mínima questão de te definir, de te engessar por qualquer palavra ou atitude ou por todas elas juntas. Apenas vão seguindo cientes da sua humanidade como a delas, de que um passo jamais será igual a outro assim como não há minuto gêmeo, cientes dos seus espinhos e do frio e, tão importante quanto, cientes do potencial comum de aquecer sustentado pela medida certa da relação - nem tão próximos nem tão distantes.  

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Das letras da infância...


Eu estou sentindo falta de ter um amigo, por isso decidi escrever sobre você: José, mais conhecido como Zezinho. Eu te vi pela primeira vez quando ainda éramos crianças. Você estava começando a estudar a Bíblia e a entender sobre Deus, lembra? Você devia ter uns oito anos ainda. Eu me lembro daquela sua amiga, acho que o nome dela era Laura. Faz tempo, mas eu acho que era ela que tirava suas dúvidas sobre a fé. Como ela está? Nunca mais a vi. Acho que eu nunca te disse isso, mas eu gostava muito de passar o tempo contigo. Gostava dos seus assuntos, e também do jeito como você pensava sobre tudo. Era como se pensar te motivasse tanto que fosse a sua melhor brincadeira. Eu adorava isso. Como você deve estar agora? Já se passaram quase 20 anos. E estou emocionada de poder falar com você de novo e poder lembrar desses nossos momentos que vivemos juntos. A nossa amizade, o nosso contato foi desfeito de repente e nunca mais voltei a te ver. É claro que eu me lembrava de você constantemente e, sempre que tinha oportunidade, mencionava alguma coisa sobre você. O tempo foi passando e confesso que fui esquecendo, esquecendo, esquecendo... São tantas coisas: ensino médio, desemprego, trabalho, faculdade, desemprego de novo, namoro, família, busca por sentido. São tantas coisas. E você já não tinha mais lugar em minha mente. E eu nem fiquei sabendo mais sobre suas descobertas sobre Deus. Onde isso foi parar? Você continuou a pensar sobre isso, a buscar, curioso, entendê-Lo? Você ouvia sobre Deus não como se Ele fosse comum. Cada “graças a Deus” ou “Deus te abençoe” que você escutava te surpreendia. Qualquer “Deus me livre” te chamava muito a atenção. E você queria saber mais e mais sobre isso, sobre Ele, como algo completamente diferente de tudo o que você já tivesse visto ou ouvido falar, não importava quantas vezes você escutasse esse nome. Você era lindo, Zezinho. E era muito bom ser sua amiga. Quero te encontrar de novo. Como faço? Você pode voltar? Acho que eu não te reconheceria. Para falar a verdade, não me lembro muito bem das suas feições. Lembro-me apenas que éramos duas crianças e que éramos felizes. E que eu sempre ia atrás de você porque gostava de estar com você. Sempre buscava a sua companhia. Você lembra disso? Lembrei que você tinha cabelos pretos, uma cabeça meio redonda, e era branco e magro. Laura tinha cabelos curtos e castanhos, meio avermelhado. Ela tinha sarda. Eu acho que ela também gostava muito de sua amizade. É uma pena que eu não me dava muito bem com ela. Na verdade, não tínhamos nada uma contra a outra, apenas éramos distantes. Nós duas só ficávamos juntas porque tínhamos você como um amigo em comum. Sinto saudades, Zezinho. Espero que, de algum jeito, você volte. Gostei demais de te achar em minha mente e sentir de novo aquele mesmo carinho de sempre. Espero que a gente se encontre o quanto antes. Eu amaria saber como você está e aonde aquele jeito tão doce e tão impetuoso te levou. Deixo-te um abraço e espero que ele seja poderoso para te trazer de volta para os meus dias, para as minhas horas...

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

E os vivos?


Ela morreu tem pouco mais de três anos. "Mas, por quê?" Eu queria entender melhor... Tenho tomado vitamina de frutas quase todos os dias bem cedinho e é quase sagrado lembrar ela me dizendo o quanto faz bem comer mamão. Ouço conselhos por todos os lados para eu me vestir melhor. Como não me lembrar dela insistindo para eu trocar minhas queridas havaianas brancas por uma sandália com feche quando eu ia sair? Todo mundo diz que eu preciso engordar um pouco e eu me lembro que ela dizia o tempo todo que eu estava muito magra. Ela ia adorar meu cabelo alisado. Eu me lembro que ela não gostava das ondinhas que se formavam quando eu entupia de creme, passava a escova e prendia. Ela me chamava para morar com ela, queria que eu soubesse o quanto ela me amava e queria que eu a amasse também. Ela dizia que era uma pessoa boa e que só queria poder provar isso pra mim. Seus olhos encheram de lágrimas quando eu disse que ia embora. E eu sempre tão fria, tão irritada com tudo... Fui sem nem me despedir. Deus me deu a graça de voltar e passar com ela o nosso último natal, de receber com alegria o último presente, de vê-la de forma diferente, de sorrir com seu jeito divertido de falar. Deixei de aceitar e buscar tantos presentes, e optei tantas vezes por desvalorizar quando podia ter apreciado, e me irritei muito mais do que sorri. É incrível essa nossa capacidade de amar os mortos... Mas, e os vivos?

domingo, 14 de setembro de 2014

Quero te abraçar... sem dúvida!! É o nome desse blog!! rsrsrs



Minha cabeça está cansada, sinto como se eu não conseguisse me organizar. E parece que quanto mais estudo, mais eu me sinto impotente. Preciso definir as minhas prioridades, ou melhor, as minhas motivações. Para que exatamente eu estou estudando? 1) Para me divertir; 2) Para servir como pré-concurso; 3) Para poder prestar concurso de nível superior.
Eu não posso me esquecer desses três motivos. Eles não são tão importantes assim, tão valiosos a ponto de me fazer sacrificar coisas verdadeiramente importantes. Não posso render meus princípios aos valores distorcidos desse mundo, dessa época. Se eu mantiver vívidas em minha mente essas razões, eu saberei os limites do esforço e do sacrifício. E estou disposta a isso. Não posso deixar nada, ainda que sutilmente, assumir o senhorio da minha vida. Deus me quer livre e ponto final. É claro que ser livre tem muito a ver com compromisso. A questão é que compromissos precisam assumir posições de importância, uns devem estar submetidos a outros, sob os critérios de efemeridade e eternidade.
Estou feliz! Estudar, de fato, me diverte. Só preciso ter isso sempre em mente para que nenhum outro sentimento (de competição, por exemplo) venha roubar a minha alegria. O curso de contabilidade é de fato um bom pré-concurso, ainda mais para o ramo que desejo. Só preciso conseguir equilibrar o tempo de estudo, de maneira que eu consiga acrescentar alguns assuntos que julgo importantes na lista. O diploma, sinceramente, é o de menos. Ele é mais burocrático do que valioso em si mesmo.
Como essas considerações afetam minha prática, minha vivência no que diz respeito às coisas da faculdade? Não posso deixar meu relacionamento com Deus em segundo lugar, jamais! Deus é o primeiro sempre! E o meu tempo para Ele deve ser o de maior qualidade. Devo separar um tempo de estudo diário para os assuntos do curso de forma que eu possa desfrutar do restante do tempo da maneira correta, sendo ao mesmo tempo uma estudante aplicada, uma boa profissional e uma amiga presente, por exemplo. E devo reconhecer os meus limites, ciente de que posso progredir sempre, amando-me a mim mesma e ao meu próximo, fundamentada sempre no escandaloso amor e na escandalosa graça de Deus concedida a todos nós.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Saboreando a vida!!



Eu não estou com pressa. Saber que é importante não implica necessariamente pressa. A pressa, ao invés de promover, destrói. Destrói o prazer que rega o sonho e a satisfação de realizar. Prefiro saborear como quem começa a comer a sobremesa com os olhos e sente a boca aguar. Depois, aos poucos e bem devagar, se delicia a cada colherada, demorando a degustar. A vida, os sonhos... Os meus sonhos são assim. Sou assim com os meus sonhos. Se eu tenho medo que o tempo passe e nada aconteça? Se eu tenho medo de não terminar de comer? Pelo contrário, tenho medo de comer tudo sem sentir o sabor. Tenho medo que o monstro da obrigação abocanhe os meus sonhos e mastigue-os sem dó. Prefiro saborear a simplesmente engolir. O caminho me fascina. Não posso desprezá-lo em nome do fim. Não quero me deparar com uma grande indigestão. Estou no desjejum da vida... Permita-me me deliciar com essa magnífica refeição.

domingo, 20 de abril de 2014

Registro de reflexões. Pingos.









Uma casa no campo. O que isso pode significar?
Trabalhar muito. Isso faz bem?
Acordar bem cedo. Pra quê?
Coisas da fazenda.
Tornar-me outra.
Amar o que se faz.
Amar o que se tem de fazer.
Você não começa a viver até perder tudo o que tem.
Um amigo de verdade? Mas, o que é isso?
Um trabalho voluntário no fim de semana? Talvez isso ajude.
Precisar. Eis o X da questão.
Viajar com meu sobrinho. Quero mesmo isso. Amo o meu sobrinho.
Pelo resto da minha vida. O que é isso?
Almoçar no parque. Como um piquenique com alguém que você ama. Todos os dias.
Entender sobre tudo. Ou sobre alguma coisa. Importante.
Gastar com alguém que esteja realmente em dificuldades.
Quando alguém está doente, realmente doente, tudo muda.
Remissão.
O valor do dinheiro?
Queria ser como uma criança com Deus.  Não sou. É uma pena.
Não me arrependo mesmo de estar acordada a essa hora. São 3h54 da manhã. Assistindo O presente. Filme inspirador.
Eu quero ser uma pequenina. E quero uma mãe. Mas, o tempo não volta assim.
“O maior presente que ela me deu foi a vontade de seguir em frente, de superar”.
Em qualquer processo que vale a pena passar ficará mais difícil antes de ficar mais fácil. Isso é o que torna aprender um presente. Mesmo que a dor seja a sua professora.
Construir uma biblioteca. Num local necessitado.
Levar Enzo para viajar sem dúvida.
Ensinar uma comunidade a ler. Qual? Como?
Reclusão. Por um tempo. Um bom tempo.
É tudo tão idiota. Aqui as coisas começam a parecer sem sentido. Tudo.
Quando eu realizei meu sonho era como estar indo pra casa, para um lugar que nunca tinha ido antes. Já sentiu isso?
Um dia percebi que se eu contasse sobre coisas reais ia parecer fantasia. Se eu contasse sobre as fantasias ia parecer real.
Pensar em borboletas. Deus as pinta, cada uma, com os próprios dedos.
Olhar as estrelas.
Coisas simples e grandes.
Meu sonho era um dia perfeito... Meu sonho era estar com pessoas que eu amasse, que se amassem e que me amassem...
Estou começando a desfazer complexos dispositivos traumáticos que me fazem amar demais pessoas que nem podem ser amadas desse jeito. Porque não são essas pessoas necessariamente os objetos desse meu amor. São lindas... Mas não são elas. Não mesmo mil vezes. Risos.
Quero um casaco e um gorro. Quero mais do que isso. Quero ficar bonita de casaco e gorro. Risos novamente.
Meninos não têm idéias. Adorei. Vou morrer sem melodramas. Muitos risos dessa vez.
Ei, você tem que entender uma coisa. Mesmo que não tenha sonho próprio, você realizou o meu. E isso conta muito.
Já assistiu a um filme e teve a sensação de não querer que ele acabasse?
Você tem que admitir: mesmo que não tivesse nada para escolher além dela, você ainda seria um grande vencedor. Não estrague tudo. Conhecendo você, é provável que faça isso.
Honestamente eu não sei se eu tenho o meu próprio sonho. Mas, sei que eu posso ajudar os outros a realizarem os seus. Disso eu não tenho dúvida.
Em minha opinião, o amor de amigo é sempre muito maior do que o amor de um homem ou de uma mulher.
Mas, será que Deus não pinta as nossas vidas, cada uma delas, com os dedos também?
Ah! Se a gente sempre confiasse e deixasse isso acontecer... Abrir o coração para a vida, e para o sim do amor.

sábado, 19 de abril de 2014

O que vai cair na prova, professor?



Se a vida é uma prova
Por que não tive aula ou revisão?
Nem sei do que se trata
E nem posso fazer recuperação.

A vida é avaliação
De quê mesmo, meu Senhor?
Porque não me lembro
De nenhum livro ou professor.

É folha em branco
Pra fazer redação
São perguntas e respostas
Sem prévia, sem lição

É por isso que eu opto
Por chutar ou colar
E tem outro jeito
Pra sair do lugar?

Nem pude perguntar
O que vai cair na prova, professor?
E estou apavorada
Desde quando começou

Esse zero é certeiro?
Então eu nem vou mais tentar
Levanto a mão: terminei,
Pode vir (me) buscar.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Coisa de gente doida?... Coisa de gente!!! Coisa minha!!

 
Saí da casa de minha mãe aos 22 anos. A primeira casa onde morei era um quartinho na laje de um prédio, muito pequenininho. Mas, de onde guardo muitas recordações e muito carinho. A segunda casa onde morei era linda. Eu e Adna dividíamos o aluguel, sempre. E dividimos as despesas com a mobília. Ficou espetacular. Tudo era lindo, mas o sofá era o que tínhamos de mais esplendoroso. Todo mundo que entrava lá pela primeira vez dizia: que casa linda!! a casa de vocês é muito linda!! E a gente ficava cheia de satisfação pela realização. Dava gosto mesmo.
Uma vez entrou um rato lá. Ficamos aflitíssimas. Espalhamos pega-tudo por todos os cantos da casa. Adivinha onde ele foi inventar de dormir? No sofá!! Ai, meu Deus do Céu! Ele roeu nosso sofá.
Até dava para esconder os locais roídos com as almofadas. Mas, lá no meu coração eu sabia que não era a mesma coisa, um rato tinha passado por ali e tinha feito estrago. Nem queria mais ver o sofá... Era o meu sofá, o rato não podia ter feito aquilo. Poxa!! Agora, não presta mais. É!! Parecia mesmo uma criança mimada que acaba de ver seu brinquedo predileto na mão de outra criança. Eu sou assim. Sempre! Mimada, birrenta, chata, ciumenta. Criança toda.
Não estava tão chateada pelo sofá em si, mas por não poder gostar mais dele como gostava antes, porque ele não era mais o mesmo. Aí, no coração, eu carregava o vazio do lugar do sofá de estimação, que agora tinha de ser desprezado. Eu queria a estima. O sentimento de estima me agradava. Não queria deixar de senti-la. Mas, já não podia mais senti-la porque o objeto da minha estima já não me causava tanta estima assim. O espaço vazio da antiga estima doía.
Por diversas circunstâncias depois disso, ou por imaturidade mesmo, pouco tempo depois, eu e Adna repartimos a mobília. Ela voltou para casa da mãe. Eu dei parte da minha mobília para minha irmã e outra parte para minha mãe, inclusive meu sofá. Minha mãe tem cachorro. O sofá é outro. Mesmo.
Fui morar sozinha numa casa menor. Até hoje não tenho sofá. E as saudades daquela casa é imensa. Era o meu lugar. Era o meu sofá, rato maldito.

sábado, 28 de dezembro de 2013

2013...2014!


Shakespeare disse que não é o que você tem na vida que importa, mas quem você tem na vida. As pessoas regaram meus dias em 2013. Conheci muitas pessoas interessantes... E muito amáveis! Meus planos para o novo ano? São tantos e ao mesmo tempo tão poucos... 

Quero escrever um livro.
Quero viajar de avião.
Fazer um curso de inglês.
Aprender a tocar um instrumento.
Fazer atividade física.
Não comprar livros.
Estudar de verdade para concursos.
Passar num concurso melhor.
Engordar uns quilinhos.

Uma lista comum. Vamos ver no que vai dar... A todos vocês, um 2014 verdadeiramente acompanhado!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Amor de enterro...

Você já sentiu o que costuma sentir no enterro de alguém que você amou muito por alguém que ainda está vivo? Se não, adiante-se!
Senti vontade de aplaudir minha avó no seu enterro e nunca fiz isso em vida. Senti vontade de lhe dar flores carregadas de amor e admiração e nunca fiz isso enquanto tive oportunidade. Senti muita admiração por todas as suas realizações, por todas as adversidades que conseguiu vencer em vida... Somente seu enterro me fez pensar em tudo isso. Ah! Como eu queria ter sentido isso enquanto ela vivia! Acho que a teria feito se sentir amada e reconhecida. E foi tudo o que ela sempre sonhou e tudo o que sempre negligenciamos.
A maior negligência da vida é falhar no amor.
Eu já provei sentimento de enterro por algumas pessoas, mas ainda assim me privei de demonstrá-lo. Esse é outro perigo. Quando senti, era como se a pessoa estivesse na U.T.I. de um hospital, em coma, prestes a ter seus aparelhos desligados. Isso não era verdade. E em meu coração só aumentava a vontade de aproveitar o tempo perdido e viver amando.
Estar certo sobre o que é mais importante na vida é a raiz da questão. Viver sem amar de verdade é apenas existir. Realização só é realização quando ela te ajuda também a fazer alguém feliz. Você e o outro são objetivos imbricados. Não dá pra separar. "Ame ao próximo como a si mesmo". Não vale de nada amar apenas a si mesmo. Não vale de nada amar apenas ao próximo. Necessariamente, tem de amar a si mesmo e ao próximo.
Quero dar flores carregadas de admiração pra minha mãe. Quero parabenizar a você que eu amo!Quero me conscientizar de todas as suas realizações, de toda a sua força... Quero aplaudir você com amor e fervura!
Se nos déssemos conta do quanto a vida é passageira, viveríamos de outro jeito.
Louvo a Deus por esse outro jeito!! Vivaaaaa!!!
Sentimento de enterro... Lembre-se disso! rsrsrsrs
Amor de enterro para vocês!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

É um paradoxo!


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Luís de Camões

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Igualdade. Muito bom!

“Igualdade” é uma das muitas palavras que suscitam paixões mais por suas conotações do que por seu significado: um significado extremamente difícil de definir e muito controverso. Confesso abertamente que não sou diferente do resto da humanidade nessa questão. Sempre que ouço a palavra igualdade usada num contexto político, reajo como um cavalo diante de um obstáculo que não quer pular: refugo.
E isto por mais de uma razão. Pessoalmente, não confio em igualitários. Especialmente se são intelectuais. Raras vezes encontrei um intelectual igualitário que me surpreendesse por ser uma pessoa realmente indiferente ao seu próprio status, e que, por conseguinte, aceitasse de bom grado mesclar-se humilde e despercebidamente com a massa. Assim como os filósofos que negam a realidade da identidade pessoal (e há muitos) em geral não permanecem de todo indiferentes ao nome nos cheques que recebem como pagamento pelas suas publicações, também os igualitários falam em favor da vitória – a deles – pelo menos tanto quanto falam em favor da verdade. Às vezes parece que nenhum filósofo vive como se acreditasse que o que diz seja verdade.
Embora às vezes até tentem os igualitários raramente conseguem sofregar a sua ânsia de dominar. Marx e Lênin, dois igualitários bastante conhecidos, sequer tentaram. Claro: nenhum ser humano é capaz de alinhar completamente a sua vida aos seus princípios. Eu, por exemplo, acredito na cordialidade, mas não posso afirmar que sempre fui ou serei cordial. A única maneira de eliminar totalmente a hipocrisia e a impostura da vida humana seria abandonar quaisquer princípios. Só que a pessoa que adota como meta política, princípio e paixão dominantes algo que representa uma violência contra os desejos igualmente dominantes do próprio coração flerta com o desastre: abre caminho às racionalizações mais elaboradas e, fundamentalmente, mais absurdas para justificar a prática do mal em nome de um suposto bem. É por isso que se conhecer a si mesmo, ou prestar atenção aos movimentos da própria alma, como diz Samuel Johnson, é extremamente importante. Se você sabe, no mais íntimo do coração, que quer ascender aos olhos do mundo, ocupar um cargo de importância, ser melhor que a maioria e não ser pior do que ninguém, ser admirado por todos, e assim por diante, não é bom fingir que é um igualitário. Tal pretensão cedo ou tarde acarretará uma deformação medonha do seu caráter e a destruição da sua probidade intelectual.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Parece que a história se repete...

Hoje estava lendo alguns emails em minha caixa de mensagens enviadas e encontrei o texto abaixo, que escrevi 2007 quando tinha 21 anos de idades, foi uma discussão calorosa e reflexiva.
A fim de preservar a identidade da pessoa para quem escrevi o e-mail, pus um nome fictício. Mas tal fato não afetará o impacto da mensagem, vale até uma resenha.
Resumindo o fato, estava indignado com as atitudes da moça.

kk, Oi Petruska, tudo bem, que atitude ridícula a sua de ignorar-me pelo orkut, mas como disse: a sua. Não vejo motivo para uma atitude dessa, mas como não estou na sua cabeça para ficar lhe julgando, vc é quem sabe! Espero que estejas bem, não precisa ficar preocupada com os recados no orkut, porque eu não iria lhe escrever nenhum desaforo a mais. Só falei a verdade, a minha verdade, que vc deixou bem claro não ter gostado, dói ler a verdade. Vc é jovem eu também, temos muito que aprender ainda sobre maturidade.
Só uma dúvida? porque vc apagou o recado do orkut? vc também é arrogante? ou é perfeita demais para não deixar transparecer o seu erro, não sou perfeito, mas também não preciso de alguém para ficar apontado meus erros, como vc também não precisa de alguém para ficar apontando os seus. Vê se cresce e aparece... quando quiser falar com vc encontrarei um jeito, ser ignorado no orkut, só demonstra sua fragilidade, medo do quê? receio? só vc sabe! E antes que me esqueça, não tenho mais uma conta no orkut para vc se preocupar.
Fique na paz também e pare de fugir, evitar as pessoas também é ser antipático, fingir que alguém não existe é se achar melhor que ela, ignorar alguém é tão podre e arrogante quanto não olhar nos olhos de um mendingo. Pare de achar que só existem pobres no mundo, existem mentirosos também e a maioria deles vivem nas ruas.
Não estou chateado com vc, estou puto da vida, o que é pior. Mas não pense que lhe desejo mal, que tudo lhe vá bem.
Sucesso é o meu desejo a ti. Outra coisa, tudo que vai volta, o que é para ser nosso ninguém toma. Vê se não some, presta atenção: Não se finja de maluca e não tente se esconder, quando quiser, se quiser, dê um sinal de vida.
Na oportunidade peço-lhe desculpas pelas palavras ofensivas, não é normal em mim ser tão ignorante, vc ainda não passou dos limites, mas está chegando perto, dá raiva só de pensar.
O que me deixou mais chateado foi o fato de pela quarta vez, vc dizer: se vc esta fazendo alguma coisa para casar comigo desista!
Vc disse isso uma vez, e continuei o mesmo, disse a 2ª uma 3ª vez e continue de boa, mas agora foi a gota d'água, vc tira tanta onda que eu sou isso sou aquilo e vc cometeu a mesma burrice pela 4ª vez, nós não tinhamos combinado que iriamos nos conhecer como amigos?
Quanto a sua familia, que se exploda o comentário, seja autêntica, eles jogaram verde... e não colheram maduro, porque não tinha fruta, pode mudar esse discurso batido de que eu fiz pensar A ou B, segure seu pepino.
O problema é seu se não quiz me dar para descascar. Como é que conseguirei ser amigo de uma pessoa que só fica na defensiva, acorda para a realidade nunca lhe fiz mal, não permita que o mal se ponha entre nós, não fazemos mal um ao outro, só precisamos parar para acertar.
Um abraço.
Petrusko Pedreira

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A não ser que o amor seja tudo isso...


Aos casados há muito tempo, aos que não casaram, aos que vão casar, aos que acabaram de casar, aos que pensam em se separar, aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar…
Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí?
Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O AMOR… Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.
Casaram. Te amo prá lá, te amo prá cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de qualquer coisa, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência… Amor, só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar. Amar, só, é pouco. Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar. Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, 'solamente', não basta. Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!
(Autor: Artur Távora)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Vou parar um pouco por aqui...
Não sei quando vou retornar...
Beijuuuuuuus!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Quem se importa?

Ninguém tem tempo pra se importar... Os valores mudaram... Se importar é coisa de quem não tem o que fazer... Jesus vivia pra se importar, o resto era secundário... Ou melhor, Jesus vive pra se importar, o resto nem existe... Quem se importa?... O homem vive para si, se importar é secundário... Quem sabe o que é o amor?... As pessoas têm dificuldade de separar amor fraternal de amor entre homem e mulher... Pra mim, isso é impossível... Não estou dizendo que não existe diferença... Na verdade, estou dizendo que pode até existir diferença, mas eu não consigo vê-la... Quando eu digo que amo alguém, seja homem ou mulher, mãe, pai, irmão, irmã, amigo, amiga... Sempre que digo que amo alguém, estou falando do amor fraternal... Nunca senti amor diferente desse... Não sei o que é amor que não seja esse... E sempre disse isso... Isso já foi tema de discussão entre eu e meus amigos muitas vezes, lá pelos idos de 2005, 06, 07, 08... Eu já me senti fortemente atraída por dois rapazes que eu amava... Ainda os amo... Mas o amor que sinto é o único amor que já senti na vida: amor fraternal... Será que amor fraternal com umas pitadas de atração física é outro amor? Se for assim, já senti outro amor... Mas, não acho que atração física tenha alguma coisa a ver com amor... Já senti atração física por alguns outros rapazes que eu não amava, alguns que eu nem conhecia... Não entendo muito bem o que seja o amor... Quem sabe o que é o amor?... Esse amor fraternal que sinto e que sempre senti nunca foi amor verdadeiro... É tão diferente do de Deus, mas tão diferente do de Deus, que eu não teria receio nenhum de dizer que não amo nem nunca amei ninguém... Pois, afinal, comparando o meu amor com o de Deus, ele não é nada, absolutamente nada... Pra falar a verdade, é até ódio... É um amor cheio de egoísmo, de um não se importar de verdade, de distância, de tédio... Sei não... Quem se importa? Quem ama? O amor é secundário no mundo dos "humanos". Eu queria me importar...