sábado, 19 de abril de 2014

O que vai cair na prova, professor?



Se a vida é uma prova
Por que não tive aula ou revisão?
Nem sei do que se trata
E nem posso fazer recuperação.

A vida é avaliação
De quê mesmo, meu Senhor?
Porque não me lembro
De nenhum livro ou professor.

É folha em branco
Pra fazer redação
São perguntas e respostas
Sem prévia, sem lição

É por isso que eu opto
Por chutar ou colar
E tem outro jeito
Pra sair do lugar?

Nem pude perguntar
O que vai cair na prova, professor?
E estou apavorada
Desde quando começou

Esse zero é certeiro?
Então eu nem vou mais tentar
Levanto a mão: terminei,
Pode vir (me) buscar.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Coisa de gente doida?... Coisa de gente!!! Coisa minha!!

 
Saí da casa de minha mãe aos 22 anos. A primeira casa onde morei era um quartinho na laje de um prédio, muito pequenininho. Mas, de onde guardo muitas recordações e muito carinho. A segunda casa onde morei era linda. Eu e Adna dividíamos o aluguel, sempre. E dividimos as despesas com a mobília. Ficou espetacular. Tudo era lindo, mas o sofá era o que tínhamos de mais esplendoroso. Todo mundo que entrava lá pela primeira vez dizia: que casa linda!! a casa de vocês é muito linda!! E a gente ficava cheia de satisfação pela realização. Dava gosto mesmo.
Uma vez entrou um rato lá. Ficamos aflitíssimas. Espalhamos pega-tudo por todos os cantos da casa. Adivinha onde ele foi inventar de dormir? No sofá!! Ai, meu Deus do Céu! Ele roeu nosso sofá.
Até dava para esconder os locais roídos com as almofadas. Mas, lá no meu coração eu sabia que não era a mesma coisa, um rato tinha passado por ali e tinha feito estrago. Nem queria mais ver o sofá... Era o meu sofá, o rato não podia ter feito aquilo. Poxa!! Agora, não presta mais. É!! Parecia mesmo uma criança mimada que acaba de ver seu brinquedo predileto na mão de outra criança. Eu sou assim. Sempre! Mimada, birrenta, chata, ciumenta. Criança toda.
Não estava tão chateada pelo sofá em si, mas por não poder gostar mais dele como gostava antes, porque ele não era mais o mesmo. Aí, no coração, eu carregava o vazio do lugar do sofá de estimação, que agora tinha de ser desprezado. Eu queria a estima. O sentimento de estima me agradava. Não queria deixar de senti-la. Mas, já não podia mais senti-la porque o objeto da minha estima já não me causava tanta estima assim. O espaço vazio da antiga estima doía.
Por diversas circunstâncias depois disso, ou por imaturidade mesmo, pouco tempo depois, eu e Adna repartimos a mobília. Ela voltou para casa da mãe. Eu dei parte da minha mobília para minha irmã e outra parte para minha mãe, inclusive meu sofá. Minha mãe tem cachorro. O sofá é outro. Mesmo.
Fui morar sozinha numa casa menor. Até hoje não tenho sofá. E as saudades daquela casa é imensa. Era o meu lugar. Era o meu sofá, rato maldito.

sábado, 28 de dezembro de 2013

2013...2014!


Shakespeare disse que não é o que você tem na vida que importa, mas quem você tem na vida. As pessoas regaram meus dias em 2013. Conheci muitas pessoas interessantes... E muito amáveis! Meus planos para o novo ano? São tantos e ao mesmo tempo tão poucos... 

Quero escrever um livro.
Quero viajar de avião.
Fazer um curso de inglês.
Aprender a tocar um instrumento.
Fazer atividade física.
Não comprar livros.
Estudar de verdade para concursos.
Passar num concurso melhor.
Engordar uns quilinhos.

Uma lista comum. Vamos ver no que vai dar... A todos vocês, um 2014 verdadeiramente acompanhado!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Amor de enterro...

Você já sentiu o que costuma sentir no enterro de alguém que você amou muito por alguém que ainda está vivo? Se não, adiante-se!
Senti vontade de aplaudir minha avó no seu enterro e nunca fiz isso em vida. Senti vontade de lhe dar flores carregadas de amor e admiração e nunca fiz isso enquanto tive oportunidade. Senti muita admiração por todas as suas realizações, por todas as adversidades que conseguiu vencer em vida... Somente seu enterro me fez pensar em tudo isso. Ah! Como eu queria ter sentido isso enquanto ela vivia! Acho que a teria feito se sentir amada e reconhecida. E foi tudo o que ela sempre sonhou e tudo o que sempre negligenciamos.
A maior negligência da vida é falhar no amor.
Eu já provei sentimento de enterro por algumas pessoas, mas ainda assim me privei de demonstrá-lo. Esse é outro perigo. Quando senti, era como se a pessoa estivesse na U.T.I. de um hospital, em coma, prestes a ter seus aparelhos desligados. Isso não era verdade. E em meu coração só aumentava a vontade de aproveitar o tempo perdido e viver amando.
Estar certo sobre o que é mais importante na vida é a raiz da questão. Viver sem amar de verdade é apenas existir. Realização só é realização quando ela te ajuda também a fazer alguém feliz. Você e o outro são objetivos imbricados. Não dá pra separar. "Ame ao próximo como a si mesmo". Não vale de nada amar apenas a si mesmo. Não vale de nada amar apenas ao próximo. Necessariamente, tem de amar a si mesmo e ao próximo.
Quero dar flores carregadas de admiração pra minha mãe. Quero parabenizar a você que eu amo!Quero me conscientizar de todas as suas realizações, de toda a sua força... Quero aplaudir você com amor e fervura!
Se nos déssemos conta do quanto a vida é passageira, viveríamos de outro jeito.
Louvo a Deus por esse outro jeito!! Vivaaaaa!!!
Sentimento de enterro... Lembre-se disso! rsrsrsrs
Amor de enterro para vocês!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

É um paradoxo!


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Luís de Camões

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Igualdade. Muito bom!

“Igualdade” é uma das muitas palavras que suscitam paixões mais por suas conotações do que por seu significado: um significado extremamente difícil de definir e muito controverso. Confesso abertamente que não sou diferente do resto da humanidade nessa questão. Sempre que ouço a palavra igualdade usada num contexto político, reajo como um cavalo diante de um obstáculo que não quer pular: refugo.
E isto por mais de uma razão. Pessoalmente, não confio em igualitários. Especialmente se são intelectuais. Raras vezes encontrei um intelectual igualitário que me surpreendesse por ser uma pessoa realmente indiferente ao seu próprio status, e que, por conseguinte, aceitasse de bom grado mesclar-se humilde e despercebidamente com a massa. Assim como os filósofos que negam a realidade da identidade pessoal (e há muitos) em geral não permanecem de todo indiferentes ao nome nos cheques que recebem como pagamento pelas suas publicações, também os igualitários falam em favor da vitória – a deles – pelo menos tanto quanto falam em favor da verdade. Às vezes parece que nenhum filósofo vive como se acreditasse que o que diz seja verdade.
Embora às vezes até tentem os igualitários raramente conseguem sofregar a sua ânsia de dominar. Marx e Lênin, dois igualitários bastante conhecidos, sequer tentaram. Claro: nenhum ser humano é capaz de alinhar completamente a sua vida aos seus princípios. Eu, por exemplo, acredito na cordialidade, mas não posso afirmar que sempre fui ou serei cordial. A única maneira de eliminar totalmente a hipocrisia e a impostura da vida humana seria abandonar quaisquer princípios. Só que a pessoa que adota como meta política, princípio e paixão dominantes algo que representa uma violência contra os desejos igualmente dominantes do próprio coração flerta com o desastre: abre caminho às racionalizações mais elaboradas e, fundamentalmente, mais absurdas para justificar a prática do mal em nome de um suposto bem. É por isso que se conhecer a si mesmo, ou prestar atenção aos movimentos da própria alma, como diz Samuel Johnson, é extremamente importante. Se você sabe, no mais íntimo do coração, que quer ascender aos olhos do mundo, ocupar um cargo de importância, ser melhor que a maioria e não ser pior do que ninguém, ser admirado por todos, e assim por diante, não é bom fingir que é um igualitário. Tal pretensão cedo ou tarde acarretará uma deformação medonha do seu caráter e a destruição da sua probidade intelectual.